59% dos inquiridos afirmam que as infraestruturas para ciclistas na sua área local melhoraram no último ano.
- Portugal tem o terceiro nível mais baixo de posse de bicicletas do continente;
- Mais de um em cada três europeus afirma que andar de bicicleta se tornou menos seguro para as crianças.
- 121 milhões de pessoas na Europa andam menos de bicicleta devido a problemas de acesso a serviços de reparação e manutenção de bicicletas.
Um estudo representativo com 25.000 pessoas em toda a Europa revelou que 121 milhões de pessoas andam menos de bicicleta devido às dificuldades de acesso a serviços de reparação e manutenção. O inquérito, conduzido pela Shimano, fabricante global de componentes para bicicletas, foi realizado no âmbito do seu Relatório sobre o Estado da Nação para 2025.
Portugal surge no relatório como o quarto país europeu com o maior nível de melhoria percebida na infraestrutura local para ciclistas. No entanto, entre aqueles que actualmente andam de bicicleta e enfrentam dificuldades em aceder a serviços de reparação, 41% afirmam que a falta de lojas de bicicletas locais é o principal problema. 55,9% das pessoas possuem uma bicicleta, a terceira taxa mais baixa do continente.
O relatório procurou compreender como as pessoas na Europa veem a infraestrutura ciclável, a segurança das crianças quando andam de bicicleta e a qualidade e disponibilidade dos serviços de manutenção e reparação de bicicletas. Esta é a quarta edição do relatório Estado da Nação, que teve início em 2020.
Foram entrevistadas 25.000 pessoas em mais de 25 países e regiões da Europa para o relatório Estado da Nação da Shimano, o que permitiu comparações sólidas entre países para identificar tanto o progresso como as lacunas. O relatório visa fornecer informações baseadas em dados concretos que capacitem os grupos de defesa e os decisores políticos para promover mudanças significativas e trazer ao debate público barreiras e problemas relacionados com o ciclismo que ainda não foram suficientemente investigados.

Manutenção da bicicleta
Os investigadores questionaram as pessoas sobre as dificuldades que enfrentam para aceder a serviços de manutenção ou reparação de bicicletas e o impacto disso no seu comportamento enquanto ciclistas. É preocupante que cerca de 212 milhões de pessoas enfrentem estas barreiras, com 121 milhões de pessoas em toda a Europa a afirmar que pedalam menos devido a problemas relacionados com a manutenção. Destas, 65 milhões pedalam significativamente menos (variando entre os 25% e deixar de pedalar completamente).
Em Portugal, 44,4% das pessoas que já possuíram uma bicicleta enfrentaram dificuldades com a manutenção. Enquanto muitos países europeus lutam contra longos tempos de espera, Portugal tem uma das mais baixas taxas de reclamações sobre o tempo de espera na Europa (16%). Em vez disso, o principal problema é a disponibilidade. 41% das pessoas que enfrentam dificuldades indicaram a falta de lojas de bicicletas locais ou horários de funcionamento inconvenientes como a principal razão. Isto coloca Portugal em terceiro lugar na Europa em relação a este obstáculo específico, sugerindo a existência de lacunas significativas na disponibilidade de serviços, onde os ciclistas simplesmente não conseguem encontrar uma loja nas proximidades.
Em Portugal, 44,4% das pessoas que já possuíram uma bicicleta referiram dificuldades com a manutenção. Quase metade das pessoas na Europa que possuem ou já possuíram uma bicicleta relataram ter enfrentado problemas, sendo que 20,3% citaram os custos elevados, 15,3% a falta de lojas de bicicletas locais ou horários de funcionamento inconvenientes e 11,8% longas filas de espera.
Entre os que enfrentaram obstáculos, 26,9% afirmaram ter tentado reparar as suas bicicletas sozinhos, 21,8% afirmaram ter recorrido mais a outros meios de transporte, 20,7% afirmaram ter pedalado com menos frequência e 16,4% afirmaram ter deixado de pedalar completamente, o que é preocupante. Estes dados destacam um risco estrutural para o ciclismo na Europa, onde a manutenção de uma bicicleta parece complicada, dispendiosa ou inconveniente — o que pode ter um impacto significativo na decisão das pessoas de continuar a pedalar.

Segurança da criança
Em muitos países europeus, as pessoas sentem que o progresso na segurança das crianças no ciclismo está estagnado ou em retrocesso. Esta estagnação representa um risco a longo prazo para a indústria do ciclismo. As crianças que não se sentem seguras a andar de bicicleta têm menos probabilidade de desenvolver hábitos de ciclismo que se estendam à adolescência e à idade adulta, reduzindo a participação futura.
Menos de dois quintos dos inquiridos em toda a Europa afirmam que o ciclismo se tornou mais seguro para as crianças nos últimos doze meses. Analisando a diferença líquida entre os que concordam e os que discordam da afirmação: "O ciclismo tornou-se mais seguro para as crianças na minha região nos últimos 12 meses", a Polónia lidera com +41,0% e a Grécia apresenta o valor mais baixo com -28,1%. Surpreendentemente, a Holanda apresenta um valor líquido negativo de -22,7% — possivelmente devido a problemas relacionados com o aumento da utilização das chamadas "fat bikes" (bicicletas de pneus largos) nas ciclovias.
Quando questionados sobre as medidas que as suas regiões deveriam priorizar para melhorar a segurança das crianças no ciclismo, os inquiridos de toda a Europa seleccionaram as infra-estruturas adequadas para as crianças como foco principal. Este foi o caso de forma esmagadora, tanto para os inquiridos que consideraram que a segurança das crianças a andar de bicicleta melhorou, como para aqueles que discordaram.
Portugal demonstra um forte optimismo em relação à próxima geração de ciclistas. 46% das pessoas acreditam que se tornou mais seguro para as crianças andarem de bicicleta na sua área, uma percentagem notavelmente elevada em comparação com a média europeia.
A razão para este aumento de confiança é clara: 78% dos inquiridos portugueses que consideraram que a segurança melhorou atribuíram-no diretamente à melhoria das infraestruturas adequadas às crianças.
Insfraestrutura

O relatório deste ano conclui que existe uma disparidade substancial entre os países europeus no que diz respeito à percepção das pessoas sobre a infra-estrutura ciclável. Os participantes foram questionados sobre o seu nível de concordância com a afirmação "A infraestrutura ciclável melhorou na minha região nos últimos 12 meses".
Novamente, analisando a diferença líquida entre os que concordam e os que discordam em cada país, a Polónia (+47,7%), a França (40,2%) e a Finlândia (33,1%) ocupam as posições mais elevadas, enquanto a Grécia (-18,8%), a República Checa (-17,8%) e a Bulgária (-4,7%) ocupam as posições mais baixas. Os Países Baixos (+4,1%), a Bélgica (+8,9%) e a Dinamarca (+7,6%) estão entre os sete países com pior classificação. Sendo estes três países considerados pioneiros no ciclismo, será um choque para muitos verem-nos tão mal classificados. No entanto, esta disparidade não reflecte um fracasso, mas sim uma expectativa. Em mercados de ciclismo consolidados, as pessoas habituam-se a uma boa infraestrutura e os seus padrões continuam a aumentar.
Para o sector, isto representa um desafio claro: quando os mercados líderes perdem o seu ímpeto, podem também perder o seu papel de referências de crescimento, inovação e liderança cultural. Se a infra-estrutura nestes países não continuar a evoluir, a participação poderá estagnar, a ambição poderá diminuir e o ciclismo corre o risco de se tornar um meio de transporte tradicional em vez de um motor dinâmico da saúde, da mobilidade e da vida quotidiana.
Portugal ocupa o 4º lugar na Europa em termos de melhorias nas infraestruturas cicláveis, com 59% dos inquiridos a referir que as instalações nas suas áreas locais melhoraram no último ano.
Este sentimento positivo resulta numa taxa de melhoria líquida de +31,76%, colocando Portugal bem à frente de potências tradicionais do ciclismo, como a Alemanha (+10,19%) e a Holanda (+4,10%).

Ties van Dijk, especialista em defesa de interesses da Shimano Europa, afirmou:
O relatório State of the Nation é um alerta para todos os que se preocupam com o futuro do ciclismo na Europa.
"Vemos milhões de pessoas que querem andar de bicicleta, mas são impedidas por barreiras que não deveriam existir, desde a falta de disponibilidade e a complexidade da manutenção até às preocupações sobre se é seguro para as crianças andarem de bicicleta."
"A infraestrutura física está a melhorar em muitos locais, mas esta infraestrutura por si só não chega. Se não conseguirmos facilitar a manutenção das bicicletas e garantir a segurança da próxima geração, corremos o risco de diminuir a participação precisamente quando a sociedade mais precisa de mobilidade ativa e sustentável."
Faz o download do relatório AQUI!